ISBN: 978-85-7883-368-8
ISSN: 2448-2072
JOSÉ ALESSANDRO DA CONCEIÇÃO SANTOS*
Resumo: A proposta deste artigo a partir
do eixo temático Paulo Freire e a educação na Amazônia é compreender a criança
na cidade de Manaus nas estruturas sociológicas urbanas, abordando visualmente
na realidade da cidade, assim como em diferentes bairros. Contextualizar a vida
das crianças urbanas nas diferentes situações, moradia, brincadeiras de rua,
bairros, escolas, jogos, natureza da cultura da criança, conforme a vida social
nas diferentes condições.
Através da coleta de
dados em campo, das leituras teóricas de Freire e autores relacionados a este
tema, teremos como resultados uma visão bem elaborada para as seguintes
problemáticas: Em geral quem são as crianças em vulnerabilidade social nas ruas
de Manaus? Por que estão nas ruas? Quais as causas principais para o
crescimento de crianças em sinais de trânsito e nos estacionamentos
públicos? Qual a política educacional
para que essas crianças cheguem à autonomia precisa em se tratando de escola,
aprendizagem, dentro do seu ofício?
Estes resultados fincam
relevantes propostas da práxis dentro do campo sócio-pedagógico, com o intuito
de levar à diante os estudos sobre a criança na cidade de Manaus, assim como
material de apoio, e, até mesmo de pesquisa para futuros investigadores dessa
temática. A maior contribuição é detectar os problemas sociais, encontrando
soluções cabíveis dentro da autonomia Freireana e suas perspectivas enquanto especialista pedagógico.
Espera-se um avanço significativo para pensarmos modelos que somarão no
conjunto de ideais para fins educacionais na tarefa árdua das instituições na tentativa de amenizar problemas sociais de crianças em
vulnerabilidade social na capital Manaus. Toda essa compreensão fundamentada e
apoiada em Freire, produz objetos conclusivos que fundamentarão outras buscas,
e assim não podemos desistir da autonomia do pensamento e aperfeiçoarmos as
condições à cada estilo de vida, cultura, época e convívio social.
Palavras-chave: Crianças, brincadeiras de rua,
escolas, cultura das crianças, vulnerabilidade social.
* Graduado em Pedagogia. Universidade do Estado do Amazonas. Especializado em Ensino de Filosofia. E-mails: sa_nbas@hotmail.com
e as4677506@gmail.com
INTRODUÇÃO
A criança como ser do meio ambiente
é encontrada nas diferentes sociedades e culturais do planeta terra, assim como
nas áreas rurais dos grandes estados Brasileiros, no entanto a ideia de que a
intensificação maior de crianças, é só em terreno rural já foi superado no
século XVIII, no ápice da revolução industrial, quando o número significativo
de pessoas migrou do interior para as grandes cidades metrópoles, onde a
indústria e o comércio atingiram seu objetivo maior, o capital. No Brasil esse
processo de migração também acontece para as capitais em busca de melhorias de
vida, neste contexto, as crianças ficavam em casa enquanto seus pais trabalhavam
na indústria ou em grandes centros comerciais do sul e sudestes do país, não
podemos esquecer da figura dos grandes centros e lares que abrigavam as
crianças de pais trabalhadores, que tinham uma mão de obra mais especializada e
que tinham condições de pagar para deixarem seus filhos sob custódia de alguns
desses centros.
Abordar
essa história é importante, porque é justamente aí que se revela o papel da
criança na cidade, como participante dela na sociedade urbana, é nesse contexto
que a criança é vista nas ruas com as diferentes brincadeiras, trabalhadoras
informais, marginalizadas e muitas vezes esquecidas pelos adultos que só viviam
para o trabalho. Nesse ponto histórico compreendemos o porquê dos resultados
culturais que encontramos na cidade de Manaus, e crianças nas diferentes
brincadeiras de ruas, nos sinais desenvolvendo habilidades na tentativa de
impressionar os motoristas e ganharem algo por isso, e nos grandes estacionamentos,
com o papel de vigias de carros e motos em troca de dinheiro (os flanelinhas).
O
papel pesquisador aqui é entender esses fatores históricos dentro da realidade
da cidade de Manaus, o porquê do crescimento significativo, mesmo com os
avanços na área da educação e da consciência afetiva que se tem a respeito da
criança, e por qual motivo leva essas crianças a estarem em vulnerabilidade
social.
1.
AS CRIANÇAS
NAS RUAS DE MANAUS.
Manaus é uma cidade
com sua população estimada em 2.057.711, segundo o Instituo Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) 2015, politicamente dividido em 6 zonas, com destaque para
a zona norte, onde moram mais de meio milhão de pessoas. Estatisticamente
comprovada pelo censo 2010 que Manaus é a segunda capital com maior taxa de
natalidade para cada 100 mil habitantes, perdendo apenas para o Rio de Janeiro,
ou seja, esses dados nos faz refletir quanto ao cuidado que teremos que ter na
pesquisa com crianças, por que se tem um crescimento alto da população de
crianças e a cidade tem seus níveis sociais, culturais, políticos e estruturais
comprometidos no que que diz respeito ao planejamento, e parte dessa
perspectiva, é dever do estado, em especial a educação, consequentemente das
escolas do município de Manaus. Os problemas vistos nas ruas de Manaus, com
certeza têm que ganhar total prioridade para entendermos melhor as crianças
vulneráveis aos problemas sociais para que futuramente não venhamos ser vítimas
de problemas maiores como o aumento da criminalidade.
Nas seis zonas da
cidade, o equilíbrio do número de crianças nas ruas é bem notório, porém temos
que entender que nem todas as crianças que estão nos sinais, nos
estacionamentos e em centros comerciais são efetivamente crianças de ruas ou
moradoras de rua, parte delas ajuda os pais a venderem, outras só trabalham e
voltam para casa e outras moram efetivamente nas ruas. A pesquisa se delimita para
as crianças que moram efetivamente nas ruas, aquelas que não têm onde morar ou
que moram com seus pais nas ruas, essa delimitação não visa tirar o mérito de
que todas essas crianças estão em vulnerabilidade, e sim procurei trabalhar o
problema prioritário da sociedade manauense em se tratando de crianças em
vulnerabilidade social na capital Manaus.
Observado esse
problema, logo veio um incômodo social e resolvi contextualizar tais
acontecimentos, que para eu é um crime contra a humanidade, porque consigo enxergar
vítimas e opressores neste contexto.
De encontro à
filosofia autônoma dos pensadores educacionais é que consegui me incluir nesse
contexto como parte do problema, e aí vem as indagações, o que estamos fazendo
para que esses problemas sociais sejam amenizados ou resolvidos? Será que não
temos parte de culpa nisso? Essas duas perguntas são estímulos, para que
possamos pensar tais acontecimentos e conseguirmos enxergar quem está fora do
sistema de mapeamento social, sofrendo consequências, talvez fincadas no
passado ou mal planejada no presente.
A crítica inicial do
não aceitar, e, se incomodar com esse problema é fundamentada em Paulo Freire,
também crítico do sistema de opressores que, ou o fazem conscientemente ou o fazem
inconscientemente “não aceito, porém, em nome de nada, ações terroristas, pois
que delas resultem na morte de inocentes e a insegurança de seres humanos”
(FREIRE, 2011, p.16).
As Crianças em
Vulnerabilidade Social (Moradoras das Ruas de Manaus).
De acordo com o ECA, são crianças, cidadão
que tem até 12 anos incompletos. então temos na capital do Amazonas,
aproximadamente, 83 crianças identificadas como moradoras de rua, segundo a
Pastoral da criança que é uma instituição não governamental e arquidiocese da
cidade de Manaus, e em 2015 o ato nacional “criança não é de rua” contrariou
estes dados. O Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do
Adolescente (Fedca-AM) e o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do
Trabalho Infantil (Fepeti-AM) afirmaram que esse número pode ser bem
maior. Esses dados que temos através das instituições são números que se
perpetuam por alguns anos, na verdade deveríamos ter dados elaborados com
amostras especiais sobre essas problemáticas, que é uma importante informação para
trabalhos científicos, porém não temos ainda, estatísticas oriunda dos órgãos
que competem a esse levantamento, para podermos desenvolver mapas sobre esse
assunto, talvez seja pela mudança muito rápido do momento criança para a
adolescência, e para que façamos estatísticas sérias, precisaríamos de tempo
para mostrarmos mapas científico com precisão.
Os números são
importantes, mas o que é mais importante é teorizar e entendermos como essas
crianças vão parar nas ruas. Quem são elas? Um dos pontos que observei e
coletei alguns dados, foi na frente do 28 de agosto, um hospital pronto socorro
modelo da cidade de Manaus que fica localizado na região centro sul da capital.
Claro que procurei sempre crianças moradoras das ruas, juntamente com seus pais
por conta da burocrática dos direitos da criança que tem que ser assegurado
tanto na pesquisa quanto na publicação de dados, pois as dificuldades de
pesquisar crianças, quando temos que ter autorização dos pais, e mais difícil
fica quando temos crianças morando na rua, mas não tem o pai, e as vezes nem
sabem onde os pais moram, porque estão efetivamente desde muito pequenos e aí a
pesquisa fica na observação distante, porque a integridade moral da criança e a
percepção natural tem que ser dinamizada pelo pesquisador, senão acabamos
identificando essa criança para ela mesma, mostrando que ela é um problema nas
camadas sociais e a má interpretação pode surgir, quebrando assim a concepção
pedagógica com resultados consequentes à pesquisa.
Segundo o pai de uma
dessas crianças, eles vieram parar na rua por conta da falta de emprego, a
informação e o desprezo familiar, consequentemente a desestruturação
psicológica e acomodação tomam conta dessa vivência, mas em geral são crianças
que fogem das agressões familiares, da falta de conforto em casa, da
desestruturação familiar e em maior partido para o mundo das drogas.
Entender quem são
essas crianças é um trabalho árduo, pela falta de pesquisa que temos na área. Para
Mubarac (2014), a pouca produção acadêmica com as crianças nesses espaços e a
falta de conhecimento faz com que os trabalhos sobre crianças em áreas de riscos
sejam tímidos no sentido de não ter catalogação científica intensiva, porém estes
projetos buscam dinamizar a busca pelos estudos, tanto nas áreas sociais como
humanas para futuras intervenções dentro dos problemas encontrados.
2.
OS SINAIS E
ESTACIONAMENTOS DA CIDADE DE MANAUS COMO ATRATIVOS PARA CRIANÇAS.
As crianças são
atraídas facilmente por tudo que são iludidas ao benefício, em especial ao
trabalho infantil, são atraídas pelas “moedinhas” que acreditam melhorar a
vida, seu espaço, e até a família em alguns casos.
Nos sinais são
crianças que praticam o malabarismo artístico, mas também tem crianças na venda
de água, bombons e pedintes, uma das crianças que observei no sinal, 10 anos de
idade, afirmou que mora na rua há um tempo, não sabe exatamente, e as vezes
alguém dar abrigo, mas sempre volta para frente do 28 de agosto, onde estão
seus pais, que também moram no local e também fazem trabalhos ambulantes, pegam
água dos vendedores e vendem por preços maiores para que tenham lucros.
Apesar dos amplos dispositivos
postos à serviço da infância, as bases de sustentação da economia moderna expôs
a criança em condições de vida degradante, em seus contínuos processos de
ampliação das desigualdades. Isto é, apesar da visibilidade instituída no plano
do Direito, da prevenção e das estruturas de serviços de proteção, muitas
crianças ainda permanecem invisíveis e destituídas das garantias prometidas
pela modernidade. (BARRETO, 2012, P. 32)
Essa
invisibilidade colocada pela professora Maria Barreto dentro de um país
democrático com todos os direitos garantidos é um fato observado na pesquisa. O
governo é uma estrutura de força orgânica, dividido em poderes, agentes e povo
ou cidadãos, os agentes passam pelos sinais todos os dias, olham e não percebem
essas crianças, os representantes dos poderes também passam pelos sinais todos
os dias, mas não observam, nem se sensibilizam por esse acontecimento, aliás
não abrem nem o vidro para dizer um bom dia para quem quer um bom dia, os
cidadãos em geral por suas vezes também passam pelos sinais, e aí acontece o
mínimo de compartilhamentos, com o giro das mercadorias, ou os que doam
pequenas quantias, e os que compram produtos,
colaborando também com aqueles que praticam o malabarismo artísticos.
A
população em geral também não faz nada a não ser fomentar ou fazer com que
outras crianças vejam que o negócio surti algum efeito econômico e passam a serem
iludidas para esses espaços. De um lado, aqueles que defendem essas práticas, e
por outro lado aqueles que dizem: “Não, se continuarmos a fazer esse tipo de
negócio com essas crianças, mais crianças virão para os sinais, mais acomodadas
irão ficar e mais miséria vai ter”.
Dentre
essas observações, nos vários sinais de Manaus percebi que apesar de todos nós
termos o dever de fazer ações que intervém nesses problemas sociais, os
principais órgãos que são imbuídos dessa tarefa árdua, bem, pelo menos deve ter
alguém ganhando e se beneficiando para que esses problemas sejam vistos, problematizados
e solucionados, mas ninguém nos responde ou nos atende. Impetrar dentro dos
órgãos competentes para coletar dados a respeito desses assuntos é tão difícil
que o pesquisador se ver em apuros para ter que fazer um trabalho ético, se bem
que percebemos muita manipulação em dados muito longe da realidade.
Por
outro lado temos os estacionamentos públicos com um foco bem relevante no
instituto da mulher, neste local foram identificadas crianças entre 9 e 11
anos, essas crianças vivem das gorjetas que a comunidade que usa o
estacionamento público compartilham com elas, uma delas respondeu que as vezes
os funcionários do instituto doam comidas que sobra da refeição dos funcionários
e dos acompanhantes, um tipo de política adotado pelos funcionários da cozinha
na tentativa de ajudar ou amenizar a dor vivida por essas crianças, algumas tem
pais que moram lá também, outras não.
No
resumo do artigo metodologia de pesquisa com crianças: outros mapas, novos
territórios para a infância do professor Roberto Mubarac, publicado no
E-Cadernos CES, Coimbra, 2009 faz a seguinte proposta:
A construção das suas
culturas infantis, sem sombra de dúvidas requer a emergência de um campo metodológico
que possa abrir caminhos para que o testemunho das crianças seja reconhecido
como fonte de verdade e suas vozes sejam ouvidas e escutadas para a redefinição
de uma sociedade com elas e para elas. (MUBARAC, 2009, P. 1)
Nos dois casos de
crianças nas ruas de Manaus temos esse campo como construção metodológica para
elaboração de uma sociedade cultural infantil, baseado nas fontes vindas delas
mesmo, sem interferência institucional, porém percebo que a burocracia para
atingir uma pesquisa dentro da legalidade deveria ser mais flexível e menos
burocrática.
As brincadeiras de rua.
Na cidade de Manaus
ainda prevalece, muito, nas comunidades novas ou bairros novos, as brincadeiras
de rua. Em um dos espaços, muito visto essa prática é no bairro nova esperança
zona oeste da capital nas áreas periféricas do bairro. As brincadeiras são
diversas como: futebol, voleibol, modalidades com tacos, as famosas manjas,
amarelinha, jogos de petecas, moedas de roda, pipas e se estende para
bicicleta, patins e alguns poucos casos, os skates, atividades mais esportivas.
Todas essas e
atividades esportivas, tem objetivos específicos e até mesmo contextos
históricos, porém o objetivo aqui é mostrar dentro de uma visão pedagógica a
estrutura benéfica dentro da cultura da criança, como essas brincadeiras
amenizam os problemas das crianças em vulnerabilidade social? Mas existe um
problema sério nesse meio e bem identificado pela professora Maria Barreto no
que tange a liberdade das crianças em lugares pública, sendo assim muito limitado
esse advento nas ruas.
Até o final da Idade Média, ainda era
possível visualizar algum vestígio de liberdade anárquica, quando as crianças
participavam de modo mais ativo, tanto no interior da família como nos lugares
públicos. Com o advento da modernidade, esses espaços vão tornar-se perigosos
com o contínuo incremento da violência cotidiana, que hoje se constitui um
aspecto problemático da atual organização da vida social, especialmente nos
espaços urbanos. (BARRETO, 2012, p. 59).
Realmente sentimos
que as crianças sentem medo de desenvolverem suas brincadeiras nos locais
públicos, os problemas sociais que tangem à criminalidade tem inibido essa
prática.
Mas a importância
dessas brincadeiras é explicada dentro das concepções psicomotoras, e é com certeza
uma das prioridades para acadêmicos dos cursos de humanas e pesquisadores, que
se garanta o direito, à segurança, para que a liberdade das crianças seja
dinamizada nesses espaços, pois para Wallon (1979) ressalta que, na pequena
infância, o ato mental se desenvolve no ato motor, ou seja, a criança pensa
quando está realizando a ação e isso faz com que o movimento do corpo ganhe um
papel de destaque nas fases iniciais do desenvolvimento infantil.
Essa garantia das
ações da criança em locais públicos de alguma forma tende a amenizar, pelo
menos a questão cultural da criança. Envolver as crianças que moram na Rua
nesses espaços, depende de uma política pública com cuidado, porque muitas
estão marginalizadas ou pelo menos parecem que estão, e o preconceito ainda é
grande. Se uma criança que mora na rua com a aparência comprometida do ponto de
vista capitalista tentar adentrar nas brincadeiras de praças públicas da cidade
de Manaus, logo os pais das crianças ligam para a polícia, porque há um certo
trauma, medo de assaltos, ou consequências dessa natureza e de todo o contexto
da marginalidade, então nesse caso tem que haver uma especificidade bem
elaborada, aí vai nascendo os novos desafios para pesquisadores e o poder
público da cidade de Manaus. Mas o importante é que de alguma forma temos que
garantir esse espaço para todas as crianças. Para Freire (2011) esses
preconceitos de raça, classe e de gênero ofende o ser humano e nega a
democracia.
3.
A ESCOLA
COMO O CAMINHO PARA A AUTONOMIA E COMBATE À VULNERABILIDADE SOCIAL.
A busca constante
pela autonomia combate à vulnerabilidade social em meio ao capitalismo é o que
se ouve muito falar nos últimos anos, mas quando as pessoas falam em buscar a
autonomia, elas estão se referindo a uma autonomia superficial, uma autonomia
econômica e familiar. A autonomia que o campo pedagógico se refere é do pensar
cognitivo, em Freire é mais ou menos formar o ser critico capaz de produzir seu
próprio meio de pensar, discutir e propor. Uma das frases mais conhecidas das
teorias de Paulo Freire mostra bem essa tendência, “ensinar não é transferir
conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua
construção”. (FREIRE, 2011, p. 47). Então é disso que vamos debater aqui para
envolver essa busca como proposição para os dois problemas nos dois tópicos
anteriormente discutidos, dentro de alguns resultados que acreditamos ser uma
marginalização da criança, importante entendermos que nós, pesquisadores e
defensores das ciências humanas e sociais, temos a obrigação de propor
condições científicas que e resultarão em fatores positivos dentro do campo da
educação, em especial dentro de uma concepção pedagógica.
Paulo Freire na sua obra pedagogia da
autonomia propõe várias vertentes dentro do campo da educação para que os
resultados sejam autônomos, quando o cidadão buscar a escola para se libertar
da escuridão do mundo oprimido que estamos em todos os sentidos da vida.
De quando em vez, ao longo deste
texto, volto a este tema. É que me acho absolutamente convencido da natureza
ética da prática educativa enquanto prática especificamente humana. É que, por
outro lado, nos achamos, ao nível do mundo e não apenas do Brasil, de tal
maneira submetida ao comando da malvadez da ética do mercado, que me parece ser
pouca tudo o que façamos na defesa e na prática da ética universal do ser
humano. Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da
ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser
assumindo-nos como sujeitos éticos. Neste sentido, a transgressão dos
princípios éticos é uma possibilidade, mas não é uma é uma virtude. Não podemos
aceitá-la. (FREIRE, 2011, p.19).
Nas primeiras palavras da sua obra, Paulo Freire
é claro em todo o contexto inicial, que essa busca pela autonomia só pode se
possível na escola, em um sistema orgânico democratizado, respeitando a
pluralidade cultural de todos os envolvidos no sistema, mas como assim? E as
crianças que moram nas ruas, que estão em vulnerabilidade social? Como
incluí-las nesse sistema?
Nossa legislação
assegura a todas as crianças o direito à escola, ao lar, à alimentação saudável
e todos os recursos possíveis para que elas vivam como cidadãos, cabe aos
órgãos competentes mapear essas crianças, acolher elas e dar a assistência
assegurada na lei, nosso papel enquanto escola é receber essas crianças,
educá-la e formar um cidadão crítico, capaz de exercer seu papel na sociedade.
Nesse processo as informaremos, de modo que
a autonomia do pensar será trabalhada e consequentemente libertará este ser da escuridão do mundo
oprimido, aí se destaca o papel da escola, claro que essa autonomia tem que ser
resultado de um trabalho orgânico entre o poder público, a escola, a sociedade
e a criança, contrário disso os resultados serão comprometidos, em vez de
autonomia, será mais um opressor como coloca bem Freire (1987), onde explica
que a mau formação do educando implica diretamente nos resultados, em vez de
sonhar com a autonomia, sonha em ser o opressor, porque é oprimido, e este
internaliza tais ações de modo que se condiciona a fazer as mesmas ações num
futuro bem próximo com outras pessoas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Levantada as problemáticas das crianças em
vulnerabilidade social, percebeu-se que o processo de entendimento na realidade
ou na prática é muito longe em relação aos mapas que nos passam no decorrer das
nossas informações cotidianas, seja elas na escola ou em casa. Dentro dessa
pesquisa a dinâmica, a partir da discussão entre a realidade, os teóricos e as
expectativas elevou a procurar uma saída em Paulo Freire, porém algumas
colocações regionalizadas tem que ser consideradas por se tratarem de uma
localidade, cujo o contexto histórico é bem novo em relação a nossa legislação.
Importante entendermos que o esperado aqui é
dar força para que esse tipo de pesquisa seja cada vez mais desenvolvido entre
acadêmicos, pesquisadores, e que reformulemos padrões que atinjam esse público,
mostrando para o poder público a sua responsabilidade enquanto representantes
da sociedade como um todo, para que venhamos recepcionar e incluirmos as
crianças que estão em situações de risco em toda a capital do Amazonas.
Conscientemente espera-se que este trabalho
seja uma dádiva no que diz respeito aos conteúdos de ciências humanas e sociais,
e que venha somar para mais elaborações de pesquisa dentro do campo científico,
em especial as crianças. O resultado é um processo a longo prazo que tem que
ser analisado com cuidado por se tratar de crianças. Portanto, nessas condições
deveremos atingir outros aspectos desse setor, como as vozes dessas crianças,
sua vivência diária e saúde, é necessário um trabalho mais completo, dinâmico
com outros setores e órgãos, um projeto completo.
REFERÊNCIAS
BARRETO,
Maria. O jardim das imagens, a infância e suas flautas sagradas. Universidade
Federal do Amazonas, Manaus, 2012.
Brasil.
Ministério da Educação e do Desporto.
Secretaria de Educação Fundamental.Referencial curricular nacional para a
educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto, Secretaria de
Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998.
Brasil.
Ministério da Educação Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de
1996.
Brasil.
Ministério da Educação. Secretaria de
Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil /
Secretaria de Educação Básica. – Brasília : MEC, SEB, 2010.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia:
Saberes Necessários à Prática Educativa / Paulo Freire, São Paulo, Paz e Terra,
2011.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 17ª. Ed. Rio de Janeiro, paz
e terra, 1987
LIBÂNEO, José
Carlos. Democratização
da escola pública: pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Edições
Loyola, 1985.
Parâmetros curriculares nacionais : história, geografia/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília
:MEC/SEF, 1997
SALTINI, Cláudio
J. P. Afetividade e
inteligência. 5º ed.- Rio de Janeiro: Wak Ed., 2008.
WALLON,
Henri. Psicologia e
educação da criança. Lisboa: Veiga, 1979. Retirado de: http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2005/anaisEvento/documentos/pal/PAL001.pdf
acesso em 10/03/2016.
Álbum de imagens da pesquisa.
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| Imagem 1: criança, Juntamente com uma adolescente, na Matinha | . |
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| Imagem 2: Família morando em baixo do viaduto da Boulevard na Praça 14. |
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| Imagem 3: Famílias, do lado do hospital 28 de agosto. |
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| Imagem 4: Criança em uma área de risco no bairro Nossa Senhora das Graças. |
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| Imagem 5: Adolescente em área de risco na Matinha. |
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| Imagem 6: Moradores de rua Em frente ao Instituto da Mulher. |
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| Imagem 7: Ao lado do 28 de Agosto. |
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| Imagem 8: Criança dormindo em área de risco na Zona Sul. |
Imagens captadas durante a pesquisa em áreas de riscos e dependências de instituições.
Fonte: Alessandro Santos.









Parabéns Alessandro... Ótimo artigo...
ResponderExcluirObrigado!!!
ExcluirMuito bom, Alessandro
ResponderExcluirParabéns!
obrigado unknown
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