domingo, 21 de junho de 2020

INCLUSÃO X EXCLUSÃO.



 ANÁLISE CRÍTICA

As dificuldades do professor inclusivo, frente ao sistema de exclusão.

JOSÉ ALESSANDRO DA CONCEIÇÃO SANTOS

O mundo parou para tentar rever o processo de exclusão, e não se restringiu apenas a seres humanos, o assunto virou pauta para todas as espécies desse planeta, mas especificamente é um assunto de grande relevância, quando as classes sociais populacionais debatem essa dinâmica, a exclusão é um processo histórico e vem sendo combatido por políticas de inclusões sociais em todo o mundo, com ênfase para os países que sofreram as grandes colonizações, onde o sistema econômico era ligado diretamente ao processo de mão de obra escravocrata, da abolição aos dias de hoje, tivemos várias lutas, com populações negras, pardas, indígenas, deficientes, etc. No mundo ocidental, esse processo se voltou muito para as classes que se definiram como pobres, miseráveis ou menos favorecidos, onde encontra-se boa parte de todos os problemas que necessitam de políticas de inclusão social. Para esse finalzinho do século XX e início do século XXI, a escola assumiu esse papel de conscientização e inclusão social, principalmente no Brasil, onde somos referência nesse processo, mesmo com um debate forte nesse setor, ainda assim sofremos com a exclusão social no nosso país. A  análise do filme “Meu Nome é Rádio”, feita por Alessandro Santos, orientado pela professora Msc. Andrezza Belota, para a disciplina de educação especial, mostra de forma completa como ainda existe essa exclusão, mesmo em um país de primeiro mudo, onde a referência da formação de ponta, ostenta uma sociedade democrática exemplar, bem, pelo menos é isso que o sistema responsável por medir esse efeito passa, através dos seus veículos de informações em todo o planeta, nessa análise é possível compreender, que é possível combater esse mal, com gestos simples e conscientes.
O filme é baseado em uma história real, de um homem negro, apelidado como Rádio, e que tem um desafio em sua vida cotidiana, enfrentar os olhares preconceituosos de uma sociedade, que se intitula autônoma e inclusiva na década de 70.
Rádio empurra um carro de supermercado todos os dias, e sempre para ao lado de um campo de concentração de um time de futebol americano, pois adora esse esporte, apesar de nunca ter entrado em um campo de futebol. A exclusão social é uma rotina diária dele, como por exemplo, uma cena que mostra uma senhora tirando sua filha da frente do seu carrinho, parecendo que nesta calçada vem um "bicho", devorador de crianças.
No filme, também tem a figura do treinador do time de futebol, que, compreensível dos fatores sociais teve o azar de viver uma experiência não saudável, seus alunos cometem um ato criminoso, após Rádio ter pegado a bola que caiu pelo lado de fora do gramado e ser agredido moralmente por um dos jogadores, eles prendem rádio e agridem em forma de lição, por não ter devolvido a bola para eles. O treinador toma providências cabíveis a todo o corpo do time e procura desculpar-se com Rádio, porque levou uma chamada da diretora da escola pelo fato ocorrido, visto isso ser uma exclusão sistematizada, com o velho discurso de resolver as situações “deixa ele pra lá e nós pra cá”, quando na verdade deveria ter um acompanhamento da escola com essa vítima.
Mas Jones não se resumiu só à isso, procura de todas as formas incluir Rádio em todas as movimentações da escola, nos treinos, nas leituras, na interação social e dar mais atenção a ele, que obteve bons resultados em pouco tempo, como a comunicação, gestos e a confiança que ele construiu nessa inclusão. O treinador mostra exatamente o papel de educador inclusivo, acreditando no potencial de Rádio, se preocupando com a dificuldade e com a família dele, Jones luta contra todos para elaborar o papel da escola na vida de Rádio, aos poucos trabalhando a questão socioeducacional, tentando de todas as formas mostrar que o sistema tem que ser inclusivo e alertando que ele está exclusivo, e Rádio com certeza é uma prova disso.
Um pressuposto frequente nas políticas relativas à inclusão supõe um processo sustentado unicamente pelo professor, no qual o trabalho do mesmo é concebido como o responsável pelo seu sucesso ou fracasso. (Paulon, 2005, Pg. 24).

Uma das percepções importantes do treinador é enxergar a capacidade de Rádio em algumas situações como exemplo, de ser um homem bom, sem mágoa e feliz. Rádio à pesar de ser isolado por todos, respeita a individualidade de cada um e é sempre flexível com os olhares em cima dele. A invisibilidade dessas pessoas traz a imoralidade da evolução que se diz inclusiva e acolhida. A realidade de hoje não é diferente, o filme parece um recorte da vivência atual. A exclusão maior é essa, quando um sistema formativo que era para ser o primeiro a incluir, se comporta dessa maneira, mostrando que estamos surtando no nosso “crescimento” educacional enquanto mundo sistematizado, mas claro que essa conscientização melhorou muito por conta das leis e programas, trabalhados por pessoas assim como o diretor desse filme e pelas pessoas que analisam e enxergam essas mudanças em um simples filme, baseado em fatos verídicos. O filme completo pode ser comprado pela internet, acessado pelo Youtube ou outros canais, link do Youtube na referência.

REFERÊNCIA

PAULON, Simone Mainieri Documento subsidiário dapolítica de inclusão\\ Simone Mainieri Paulon Lia Beatrizde Lucca. Freitas, Gerson SmiechPinho–Brasília: Ministério da Educação , Secretaria de Educação Especial, 2005. 48p

https://www.youtube.com/watch?v=MAIjvdT-Bpg 

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