ANÁLISE CRÍTICA
As dificuldades do professor inclusivo, frente ao sistema de exclusão.
JOSÉ ALESSANDRO DA CONCEIÇÃO SANTOS
O
mundo parou para tentar rever o processo de exclusão, e não se restringiu
apenas a seres humanos, o assunto virou pauta para todas as espécies desse
planeta, mas especificamente é um assunto de grande relevância, quando as
classes sociais populacionais debatem essa dinâmica, a exclusão é um processo
histórico e vem sendo combatido por políticas de inclusões sociais em todo o
mundo, com ênfase para os países que sofreram as grandes colonizações, onde o sistema
econômico era ligado diretamente ao processo de mão de obra escravocrata, da
abolição aos dias de hoje, tivemos várias lutas, com populações negras, pardas,
indígenas, deficientes, etc. No mundo ocidental, esse processo se voltou muito
para as classes que se definiram como pobres, miseráveis ou menos favorecidos,
onde encontra-se boa parte de todos os problemas que necessitam de políticas de
inclusão social. Para esse finalzinho do século XX e início do século XXI, a
escola assumiu esse papel de conscientização e inclusão social, principalmente
no Brasil, onde somos referência nesse processo, mesmo com um debate forte
nesse setor, ainda assim sofremos com a exclusão social no nosso país. A
análise do filme “Meu Nome é Rádio”,
feita por Alessandro Santos, orientado pela professora Msc. Andrezza Belota,
para a disciplina de educação especial, mostra de forma completa como ainda
existe essa exclusão, mesmo em um país de primeiro mudo, onde a referência da
formação de ponta, ostenta uma sociedade democrática exemplar, bem, pelo menos
é isso que o sistema responsável por medir esse efeito passa, através dos seus
veículos de informações em todo o planeta, nessa análise é possível
compreender, que é possível combater esse mal, com gestos simples e conscientes.
O
filme é baseado em uma história real, de um homem negro, apelidado como Rádio, e
que tem um desafio em sua vida cotidiana, enfrentar os olhares preconceituosos
de uma sociedade, que se intitula autônoma e inclusiva na década de 70.
Rádio
empurra um carro de supermercado todos os dias, e sempre para ao lado de um
campo de concentração de um time de futebol americano, pois adora esse esporte,
apesar de nunca ter entrado em um campo de futebol. A exclusão social é uma
rotina diária dele, como por exemplo, uma cena que mostra uma senhora tirando
sua filha da frente do seu carrinho, parecendo que nesta calçada vem um "bicho", devorador de crianças.
No
filme, também tem a figura do treinador do time de futebol, que, compreensível
dos fatores sociais teve o azar de viver uma experiência não saudável, seus alunos
cometem um ato criminoso, após Rádio ter pegado a bola que caiu pelo lado de
fora do gramado e ser agredido moralmente por um dos jogadores, eles prendem
rádio e agridem em forma de lição, por não ter devolvido a bola para eles.
O treinador toma providências cabíveis a todo o corpo do time e procura desculpar-se com Rádio, porque levou uma chamada da diretora da escola pelo fato
ocorrido, visto isso ser uma exclusão sistematizada, com o velho discurso de
resolver as situações “deixa ele pra lá e nós pra cá”, quando na verdade
deveria ter um acompanhamento da escola com essa vítima.
Mas
Jones não se resumiu só à isso, procura de todas as formas incluir Rádio em
todas as movimentações da escola, nos treinos, nas leituras, na interação
social e dar mais atenção a ele, que obteve bons resultados em pouco tempo,
como a comunicação, gestos e a confiança que ele construiu nessa inclusão. O
treinador mostra exatamente o papel de educador inclusivo, acreditando no
potencial de Rádio, se preocupando com a dificuldade e com a família dele,
Jones luta contra todos para elaborar o papel da escola na vida de Rádio, aos
poucos trabalhando a questão socioeducacional, tentando de todas as formas
mostrar que o sistema tem que ser inclusivo e alertando que ele está exclusivo,
e Rádio com certeza é uma prova disso.
Um
pressuposto frequente nas políticas relativas à inclusão supõe um processo
sustentado unicamente pelo professor, no qual o trabalho do mesmo é concebido
como o responsável pelo seu sucesso ou fracasso. (Paulon, 2005, Pg. 24).
Uma
das percepções importantes do treinador é enxergar a capacidade de Rádio em
algumas situações como exemplo, de ser um homem bom, sem mágoa e feliz. Rádio à
pesar de ser isolado por todos, respeita a individualidade de cada um e é sempre
flexível com os olhares em cima dele. A invisibilidade dessas pessoas traz a
imoralidade da evolução que se diz inclusiva e acolhida. A realidade de hoje
não é diferente, o filme parece um recorte da vivência atual. A exclusão maior
é essa, quando um sistema formativo que era para ser o primeiro a incluir, se
comporta dessa maneira, mostrando que estamos surtando no nosso “crescimento”
educacional enquanto mundo sistematizado, mas claro que essa conscientização
melhorou muito por conta das leis e programas, trabalhados por pessoas assim
como o diretor desse filme e pelas pessoas que analisam e enxergam essas
mudanças em um simples filme, baseado em fatos verídicos. O filme completo pode ser comprado pela internet, acessado pelo Youtube ou outros canais, link do Youtube na referência.
REFERÊNCIA
PAULON, Simone Mainieri Documento subsidiário dapolítica de inclusão\\ Simone Mainieri Paulon Lia Beatrizde Lucca. Freitas, Gerson SmiechPinho–Brasília: Ministério da Educação , Secretaria de Educação Especial, 2005. 48p

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